quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Quando a Alemanha deportou o patriarca dos Trump

O avô de Donald Trump, Friedrich Trump.

Quando a Alemanha 

deportou o patriarca dos Trump

Um pesquisador encontra o documento de expulsão de 1905 do avô do futuro presidente dos EUA


LUIS DONCEL
Berlim 23 NOV 2016 - 17:31 CST


Donald Trump chegará em 20 de janeiro à presidência dos Estados Unidos graças, em grande medida, a um discurso duro contra a imigração. O homem que se propôs “tornar a América grande de novo” poderá nesse momento recordar seu pai, Fred, nascido em solo norte-americano em 1905, poucos meses depois de sua família ser expulsa da Alemanha. A história já era conhecida. Mas um pesquisador encontrou agora o documento que certifica o momento em que a família Trump teve de fazer as malas e buscar a vida na outra ponta do mundo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Paul Simon / “Me preocupa mais o que Trump pode fazer com o planeta do que com os EUA”


Paul Simon
Poster de T.A.


Paul Simon: “Me preocupa mais o que Trump pode fazer com o planeta do que com os EUA”

Músico está em turnê na Europa para divulgar seu novo álbum, 'Stranger to Stranger'


FERNANDO NAVARRO
Madri 17 NOV 2016 - 11:49 CST


Paul Simon (Newark, EUA, 1941) não gosta de ficar preso ao passado. Nem mesmo quando este é tão recente que metade do planeta ainda tenta assimilá-lo. Três dias se passaram desde que Donald Trump ganhou as eleições nos Estados Unidos e o músico decidiu suspender esta entrevista, combinada para ser feita pelo telefone, no dia seguinte ao da vitória do republicano: não conseguia nem sair direito da cama, de tão “devastado” que estava, explicou o seu manager. Dois dias depois, porém, ele aceitou conversar. E só focava no futuro. “A discussão não pode ser centrada na personalidade de Trump mas sim na quantidade enorme de pessoas que se sentem enganadas, esquecidas, a tal ponto que acabaram votando nele”, observa o cantor, com voz pausada. “O que aconteceu é surpreendente, mas, para retomar algum entendimento nacional, é preciso partir disso e olhar para a frente”.

domingo, 20 de novembro de 2016

Sete canções de Leonard Cohen que ficarão para sempre em nossa memória


Sete canções de Leonard Cohen que ficarão para sempre em nossa memória

O músico e poeta canadense morreu nesta quinta-feira aos 82 anos


EL PAÍS
11 NOV 2016 - 11:40 CST



Leonard Cohen durante seu concerto em Madri, em 2012. BERNARDO PÉREZ




morte de Leonard Cohen, aos 82 anos, causa comoção no mundo da música. O cantor e compositor canadense acabava de lançar seu último disco, You Want It Darker, que tinha um sabor de despedida. “Estou preparado para morrer”, afirmou ele numa de suas últimas entrevistas. Leonard Cohen, músico e poeta, deixou um legado de composições que ficarão gravadas na mente dos fãs que o acompanharam em cada passo da sua carreira. Estas são sete canções que romperam as barreiras entre as gerações e cativaram milhões de pessoas mundo afora.
Suzanne
Esta canção apareceu no primeiro álbum do canadense, Songs of Leonard Cohen, que saiu em 1967. A letra vem do poema Suzanne Takes You Down (Suzane te leva), publicada um ano antes na coletânea poética Parasites of Heaven. “Esta é uma canção bem antiga, da qual gosto muito, porque é uma canção que as pessoas adoraram”, disse Cohen numa apresentação na década de 1970.



Hallelujah
Cohen compôs este hino em 1984 e a incluiu no seu disco Various Positions, do mesmo ano. Inicialmente, não fez sucesso comercial, mas uma versão do cantor norte-americano Jeff Buckley a popularizou. Desde então, já recebeu inúmeros covers. Esta é uma das interpretações mais recentes do autor original.



So Long, Marianne
O poeta se inspirou na norueguesa Marianne Jensen, a quem conheceu na Grécia no começo da década de 1960. A musa do canadense durante aquela época morreu em julho deste ano em Oslo. Esta canção também estava no seu disco de estreia.



Bird on the Wire
Esta gravação saiu em 1968 no álbum Songs From a Room. Cohen contou em entrevistas que a compôs numa época em que superava uma depressão e Marianne lhe deu um violão para aliviar a dor. Um documentário homônimo foi censurado na década de 1970. “É difícil namorar com a câmera aí”, disse Cohen no filme.



Ain’t No Cure for Love
Música do álbum I’m Your Man, de 1988. Cohen mostra sua faceta mais romântica nesta composição, lançada um ano antes pela cantora Jennifer Warnes em seu álbum-tributo Famous Blue Raincoat.



Famous Blue Raincoat
A letra de Famous Blue Raincoat se refere a uma capa de chuva que ele comprou em Londres, em 1959, e foi furtada no sótão de Marianne em Nova York, como conta nas notas que acompanham uma coletânea sua. Saiu em 1971, como parte do disco Songs of Love and Hate.



Dance Me to the End of Love
Uma das composições de Leonard Cohen que mais receberam covers. A canção original saiu em 1984, no disco Various Positions. Em 1996 foi publicada em livro com a letra da canção e um desenho do pintor Henri Matisse.


EL PAÍS



sábado, 19 de novembro de 2016

Morre Leonard Cohen aos 82 anos




Morre Leonard Cohen aos 82 anos

Poeta e músico canadense lançou há pouco disco no qual se declarava preparado para o final da vida


PABLO XIMÉNEZ DE SANDOVAL
Los Angeles 11 NOV 2016 - 12:51 CST


Leonard Cohen, cantor e poeta canadense que seduziu várias gerações com canções como Suzanne e I'm your man, faleceu nesta quinta-feira aos 82 anos, segundo anunciou sua família em sua página de Facebook. "Com profunda tristeza informamos que o lendário poeta, músico e artista Leonard Cohen faleceu. Perdemos um dos visionários mais prolíficos e reverenciados da música. Será realizado um funeral em Los Angeles em data próxima. A família pede privacidade durante este momento de dor". O entorno de Cohen não informou sobre o momento exato ou as circunstâncias da morte do artista.


Leonard Cohen nasceu no Quebec 1934 e viveu sua velhice em Los Angeles. Aqui, há apenas um mês, em 13 de outubro, apresentou o seu último disco, You want ir darker, na residência do cônsul do Canadá. Foi sua última aparição em público. Lá estavam jornalistas do todo o mundo, aos quais saudou dizendo: “Amigos, muito obrigado. Alguns de vocês vieram de muito longe, e lhes agradeço isso. Outros atravessaram Los Angeles de carro. Demora-se mais ou menos a mesma coisa. Obrigado também”.
Com uma debilidade física evidente, fez os presentes rirem várias vezes com brincadeiras como essa, demonstrando uma energia intelectual intacta. Cohen não se parecia mais com o senhor que, já bastante idoso, emocionou milhares de pessoas numa turnê mundial em 2012, aos 78 anos. Em outubro passado, caminhava muito devagar e falava com pouca energia, embora sua voz de ouro ainda enchesse a sala e se destacasse por sua profundidade.
Leonard Cohen sempre foi reconhecido como poeta tanto quanto por sua música. Em 2011, recebeu o prêmio espanhol Príncipe de Astúrias das Letras, concedido anteriormente a literatos como Günter Grass, Amos Oz e Paul Auster. No discurso de agradecimento, em Oviedo, mencionou sua dupla condição de poeta e músico popular. “Sempre tive sentimentos ambíguos sobre os prêmios de poesia. A poesia vem de um lugar que ninguém controla e ninguém conquista. Então me sinto um pouco como um enganador ao aceitar um prêmio por uma atividade que não domino”. O nome de Cohen foi cotado durante anos para o Nobel de Literatura.
Lançou seu primeiro livro de poemas em 1956, aos 22 anos. Continuou publicando poesia durante os anos 1960, quando começou a gravitar para o universo do pop. Gravou seu primeiro disco em 1968, e costumava comentar que era uma década mais velho que os amigos e contemporâneos com os quais compartilhou o sucesso. Certa vez, disse que optou pela música porque não conseguia ganhar a vida com a poesia. Nos anos 1980, quando sua voz adquiriu a profundidade envolvente que o caracterizou, começou a modelar o personagem da sua velhice. Nessa época publicou Hallelujah, um dos maiores hinos da história da música popular, graças a infinitas versões posteriores.
Várias canções de seu último disco, You Want It Darker, falam do final da vida e da preparação para o encontro com Deus. Apenas alguns dias antes, Leonard Cohen havia avisado ao mundo que pressentia a proximidade deste momento. “Estou preparado para morrer”, disse numa entrevista de grande repercussão ao diretor da revista The New Yorker. Mas, naquela apresentação na casa do diplomata, quis minimizar o assunto. “Fico dramático de vez em quando”, disse. “Espero que possamos fazer isto outra vez. Eu me proponho a viver 120 anos.” Foi o último sorriso de Cohen em público.

Reações pelo mundo

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, reagiu à notícia em sua conta do Twitter: “Não há música de nenhum outro artista que soasse e fizesse sentir como a de Leonard Cohen. Seu trabalho alcançou várias gerações. O Canadá e o mundo sentirão sua falta”.
Em poucos minutos, o universo do show business encheu as redes sociais com manifestações de pesar e homenagens a Cohen. Lin Manuel-Miranda, criador de musical Hamilton, com o qual se tornou o artista mais relevante do ano nos Estados Unidos, tuitou um trecho de Bird on the Wire: “Like a bird on the wire / Like a drunk in midnight choir / I have tried, in my way, to be free” (“como um pássaro sobre o fio / como um bêbado no coro da meia-noite / tentei, do meu jeito, ser livre”) . Justin Timberlake o descreveu como “um espírito e uma alma sem comparação”.
A Academia do Grammy, que premiou Leonard Cohen pelo conjunto da sua obra em 2010, disse em nota que “ao longo de uma influente carreira que durou mais de cinco décadas Leonard se tornou um dos poetas mais adorados do pop e uma referência para muitos compositores (…). Sua falta será enormemente sentida.”

EL PAÍS


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Leonard Cohen / “Se soubesse de onde saem as boas canções, iria até lá mais vezes”

Leonard Cohen
Foto de GORKA LEJARCEGI

Leonard Cohen: “Se soubesse de onde saem as boas canções, iria até lá mais vezes”

O cantor e compositor apresenta seu novo disco, “You want it darker”, no dia em que Dylan ganha o Nobel: “É como colocar uma medalha no Everest”, diz com admiração


PABLO XIMÉNEZ DE SANDOVAL
Los Angeles 14 OUT 2016 - 12:43 CDT
Leonard Cohen entra na sala com um grande sorriso. Move-se como se flutuasse, com terno preto, camisa cinza e chapéu Borsalino. Quando se aproxima do microfone para responder as perguntas, essa voz profunda e ao mesmo tempo quente e reconfortante inunda a sala. Seu novo disco, You want it darker, acabou de tocar para a imprensa internacional. Fala de amor, de despedida, de fim de algo. Sua música volta a conseguir essa sensação envolvente, um veículo para que o velho sábio canadense recite seus poemas. Na capa aparece Cohen com esse terno e esse chapéu, óculos escuros, inclinando sobre uma janela, como se estivesse viajando e fumando. Um momento, ele não tinha parado de fumar? "Existem caras que não são confiáveis", responde.

Cohen mostrou seu novo trabalho na quinta-feira à noite na residência do cônsul do Canadá em Los Angeles, Califórnia. Nas últimas horas tudo ao redor deste disco tem aroma de despedida de um homem de 82 anos com as forças esgotadas, embora em plenas faculdades artísticas. Em uma longa entrevista na revista The New Yorker, publicada no dia anterior, Cohen impressionou seus fãs dizendo: “Estou preparado para morrer”. Na faixa-título do disco, canta: “Hineni, Hineni (aqui estou, em hebraico) / Estou pronto, Senhor”. Assim, a primeira pergunta é sobre sua saúde. “Disse que estava pronto para morrer. Acho que estava exagerando. Eu pretendo viver para sempre”.
“Qualquer compositor, e Dylan entende isso melhor do que ninguém, sabe que vai escrever canções de todas formas”, continua Cohen. “Se tiver sorte, mantém o veículo saudável e preparado ao longo dos anos. Se tiver sorte, porque seus propósitos têm pouco a ver com isso. Durar muito realmente não é sua escolha”.
A referência a Bob Dylan vem à mente. Todos estão conscientes de que há apenas 12 horas o mundo da música foi abalado pelo anúncio de que o Prêmio Nobel de Literatura deste ano será de Dylan. No ambiente está presente o fato de que Cohen sempre esteve nas apostas para o dia em que o comitê sueco decidisse premiar um desses dois grandes poetas que, além disso, cantam. O prêmio Príncipe de Astúrias o reconheceu em 2011. Nem é preciso perguntar a Cohen sobre o prêmio. “Vou dizer uma coisa sobre o Prêmio Nobel. Para mim, é como colocar uma medalha no Monte Everest por ser o mais alto do mundo”, disse. Dylan é tão grande, de acordo com Cohen, que o prêmio é apenas um detalhe, além de algo óbvio.
“Costumo dizer que se soubesse de onde saem as boas canções, iria até lá mais vezes”, Cohen respondeu quando perguntado sobre sua rotina criativa. “Todo mundo tem seu próprio sistema mágico que utiliza com a esperança de abrir os canais. Minha mente sempre foi muito desorganizada, então procuro maneiras de simplificar o ambiente. Porque se o meu ambiente está tão desorganizado quanto minha cabeça, não poderia nem ir de uma sala para outra. O sistema funciona para mim, apesar de precisar suar cada palavra”.
Os poemas de You want it darker voltam a estar cheios de referências religiosas, algo comum na música de Cohen. Deus é um personagem tão presente em suas canções quanto suas amantes. Mas é apenas uma referência cultural, explica. “Nunca me vi como uma pessoa religiosa, não tenho uma estratégia espiritual. Ocasionalmente, sinto a graça de outra presença na minha vida, mas não lhe dou uma estrutura espiritual. Esse é o vocabulário com o qual cresci. A paisagem bíblica é muito familiar e é normal que use esses pontos como referência. Durante algum tempo foram referências universais e todos entendiam e repetiam. Não é mais assim. Mas continua sendo minha paisagem. Tento ter certeza de que essas referências não sejam muito estranhas”.
A aparente fragilidade física de Cohen contrasta com sua atividade artística. “Talvez nunca esteve tão potente”, diz seu filho Adam, que produziu o disco. “Está no auge de seu poder. Continua sendo, como ele diz, um trabalhador das canções”. Cohen pertence, como Dylan, a uma geração que está desaparecendo depois de mudar o mundo e influenciar a cultura por meio século. “Está passando muito rápido”, diz Adam Cohen. E quem vai substituí-los? “O mais profundo que é feito agora são algoritmos”.
“Obrigado por terem vindo, amigos”, despede-se Cohen, depois de falar da família, da velhice e da sua religião e de recitar um poema aos participantes, como presente. “Espero que possamos fazer isso outra vez. Pretendo viver até os 120 anos”.

EL PAÍS



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